Histórias que se engrandecem diante do cotidiano

Los Lobos conta a história de uma mãe e seus dois filhos, imigrantes que chegam ao Novo México à procura de uma vida melhor. Através de muitas cenas dentro do apartamento que alugam ao chegar ali, o filme se desenrola num misto de acolhimento familiar e isolamento — uma vez que a mãe tem de trabalhar fora todos os dias e provar que é apta para morar sozinha em outro país.

É possível comparar Los Lobos com a rotina precária e ao mesmo tempo composta por lapsos de alegria inocente vista em Projeto Florida. Porém, a obra presente no festival é mais crua no sentido de se afastar de um universo colorido e perfeito no caso, a Disney. Assim, ele foca bastante na atmosfera limitada de um pequeno apartamento como o agente de afetos, que, mesmo sendo um tanto raros, possuem forte peso na vida dos dois irmãos.

Já Nasir possui cores de sobra em sua fotografia, cuja história é centrada no muçulmano que dá título ao filme. A narrativa dá espaço para o espectador acompanhar o dia a dia do protagonista, um vendedor. Isso resulta em uma espécie de poesia cinematográfica, já que acompanhamos a vida de Nasir em casa, na rua e no trabalho.

Existe uma preocupação do diretor em mostrar com tanto detalhe e afinco a rotina de Nasir que, propositalmente, os problemas da vida real como a intolerância religiosa ficam sempre no fundo, apenas esperando para chegarem à superfície. Mas eles estão ali — e é por isso que as cenas finais sejam tão impactantes.