Sem o glamour de antigamente, a família do bicheiro Castor de Andrade está de volta à mídia

Quando um fora lei vira lenda é porque ele circulou com desenvoltura em estamentos sociais que vão do submundo do crime aos palanques políticos. Assim foi Castor de Andrade, um dos maiores e mais famosos contraventores do Rio de Janeiro e do País, nos tempos em o jogo do bicho era a mina de ouro e o narcotráfico ainda engatinhava – a sua influência e presença iam das escolas de samba aos concursos de misses, dos clubes de futebol às rodas do poder e às badaladas festas de socialites. Foi glamourizado — o que o ajudava a lavar dinheiro —, mas delinquente é delinquente: a diferença é que Castor mandava dar surras em seus desafetos, mas sempre avisando que era para despachá-los “ao pronto socorro, não para o cemitério”.

Ele morreu em , e assim dividiu o seu império: os pontos do jogo do bicho ficaram com o sobrinho Rogério e o filho Paulinho, enquanto as máquinas de caça-níqueis passaram ao domínio do genro Iggnácio. Transgressores são transgressores, e claro que os três entraram em guerra com o objetivo de fazer crescer os seus territórios. Na semana passada, na terça-feira , após vinte e três anos de prisões e solturas, de armistícios traídos e de quase uma centena de mortos, o nome Castor de Andrade voltou à mídia: Iggnácio foi executado com diversos tiros de fuzis na cabeça quando descia de seu helicóptero e entrava em seu carro no bairro carioca do Recreio dos Bandeirantes. A polícia, com razão, considera que o principal suspeito é Rogério, embora não descarte outras hipóteses, uma vez que Iggnácio colecionava inimigos. Já o filho Paulinho, esse foi assassinado um ano após a morte do pai. Sendo ou não o mandante do crime, Rogério agora tem em mãos o bicho e os caça-níqueis. E olhos atentos em trezentos e sessenta graus porque as milícias, é claro, querem os seus negócios ilegais.

Tornou-se público na semana passada o principal documento redigido ao final da reunião do Conselho Nacional da Amazônia. Por meio dele sabe-se agora que o governo federal pretende criar um “marco regulatório” para controlar a ação de todas as ONGs que atuam na preservação da floresta Amazônica. O documento lembra os anos de chumbo, quando difusamente se falava em “interesses nacionais” e “soberania nacional”. As expressões citadas voltam, agora, com o governo dizendo que somente as ONGs que atendam “interesses” do Brasil atuarão na floresta tropical. Como o governo Bolsonaro só faz destruir flora e fauna, é fácil prever quais são tais interesses.